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Uma desclassificação merecida

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Durante os 8 dias que passaram do primeiro ao segundo jogo, as crônicas esportivas mostravam um Simeone aparentemente ciente do que precisava para virar a situação desfavorável e conseguir a passagem para a fase seguinte. Esta coluna comentou, larga e repetidamente, o que estava errado e o que não podia mais acontecer.

O jogo desta noite começou de forma insólita: embora só a vitória interessasse para River, era San Lorenzo que tocava com inteligência e mantinha a bola no ataque. River, para variar, fazia o que melhor sabe: chutão para frente, expediente que esta coluna vem criticando há tempos. O resultado era previsível: River mal conseguia passar do meio de campo.

Mesmo jogando mal, aos 9PT Abreu marca um gol legítimo que é anulado por Sergio Pezzotta: o teipe, repetido várias vezes, claramente mostra Abreu na mesma linha do defensor azul-grana. A coragem do juiz de anular um gol legítimo a River na sua própria casa é inversamente proporcional ao peso que a diretoria de River tem na AFA: inexistente. Duvido que um árbitro se animaria a anular um gol ao clube do riachuelo em seu próprio estádio.

O gol legítimo anulado aos 9PT era a primeira vez que River chegava até a área adversária. Como de costume, o falastrão Abreu consegue nesta jogada seu já tradicional cartãozinho amarelo. Meno male que 2 minutos depois, aos 11PT, um tiro livre cobrado daquele jeito por Abelairas sobre a área se transforma em gol graças à “cortina” de Falcao Garcia, que atrapalha o goleiro Orion, mas aparentemente não toca na bola.

San Lorenzo precisa agora ir buscar o resultado. Perde o brilho e o toque preciso dos primeiros 10’, mas River demonstra mais uma vez se conformar com pouco. Embora perdendo, San Lorenzo, mais nervoso, continua no comando da bola e do campo. E River? Chutão pra frente e passes errados. Buonanotte lento e impreciso, sem o drible de outras partidas, não encontra com quem tocar.

Contudo, River consegue armar alguns contra-ataques e as faltas dos homens de San Lorenzo se sucedem, muitas ignoradas por Pezzotta. Aos 18PT uma bola que Falcao divide forte com Méndez na direita do ataque gera um tumulto em que se envolvem quase todos. O jogo é interrompido e Pezzotta consulta seu assistente. Há vários jogadores de River muito exaltados, apesar da vitória parcial que deveria lhes dar tranqüilidade. Carrizo deixa o gol e atravessa o campo para discutir e brigar, principalmente com D’Alessandro, como fez outras vezes durante a partida.

Méndez parece querer vingar seu atrito com Falcao com várias faltas violentas, a maior parte sobre Buonanotte. O truculento Rivero recebe o amarelo aos 14PT e o vermelho aos 41PT por falta violenta por trás contra nosso enganche. Contudo, San Lorenzo joga um futebol mais vistoso e ainda domina as ações, e o jogo vai ao descanso.

No entretempo Simeone deve ter tido uma conversa séria com seus homens: River volta para o complemento marcando muito forte a saída de bola e obrigando a San Lorenzo a jogar para trás e para os lados sem conseguir avançar. A indisciplina dos homens de River continua: Ahumada recebe o amarelo 7ST por uma falta sem necessidade na esquerda do ataque de River; 1 minuto depois, Augusto também é advertido (Villagra já tinha amarelo desde os 23PT).

Aos 16ST Falcao recebe aberto pela direita do ataque uma bola e corre emparelhado com Bottinelli. O defensor ganha a posição e já dentro da área se coloca entre Falcao e a bola e toca para o goleiro. Quando já não havia mais perigo, gira e aplica em Falcao uma soberba cotovelada. Expulsão e pênalti, que Abreu converte aos 17ST: 2x0.

Imediatamente depois do gol, Simeone decide aproveitar os 11 contra 9, e troca Augusto por Mauro Rosales com a evidente intenção de aumentar a vantagem no contra-ataque. Mas, mesmo em vantagem numérica, River não encontra a bola e não gera perigo. Pior: com a saída de Augusto, River perde um homem que ajudava a recuperar a bola justamente no setor mais explorado pelo fugidio D’Alessandro, nossa faixa direita.

O incrível acontece: mesmo com 9 homens, San Lorenzo joga melhor. Os de Boedo descontam aos 24ST em linda jogada que começa pela direita e vem para Placente que, no centro da área, toca para Bergessio, já na esquerda, meter a bola alta e cruzada, inalcançável para Carrizo: 2x1.

Este gol corrobora tudo que esta coluna vem falando da defesa de River: apenas quatro homens de San Lorenzo, bem posicionados, conseguem tocar a bola entre um cipoal de pernas de River que, dentro da área, não atinam a cortar a jogada. Aos 28ST, novo ataque de San Lorenzo pela direita, desta vez com centro cruzado a meia altura que encontra desvio certeiro na cabeça de Bergessio ao segundo pau: 2x2. A fórmula de Pelado Díaz é bem simples: cruzar a bola na área de River o tempo todo para provocar os erros de uma defesa que todos sabem muito declinante, mas com uma diferença: San Lorenzo chega trabalhando bem a bola e com seus homens bem posicionados.

E River? Chutão pra frente e passes errados. Chega o desespero: se com 2x1 o jogo vai pros pênaltis, com 2x2 classifica San Lorenzo. Em uma curiosa fórmula que deu resultado algumas vezes – a de receber uma bofetada para depois reagir – Simeone troca Villagra por Alexis e manda o time todo para o ataque. River gera algumas situações de gol, e duas ou três vezes não converte por muito pouco, mas não é uma equipe e sim um grupo de homens em que um nunca sabe onde o companheiro está. Por vezes são Alexis ou Falcao os que “distribuem” bolas no meio-campo, quando são eles que deveriam receber na área. A falta de precisão nos passes obriga a River recomeçar uma e outra vez as jogadas.

San Lorenzo, já sem pernas, continua cortando todas as jogadas e saindo em contra-ataque. No último ataque do Santo, em um lance que ilustra bem a impotência deste River perdedor, Tuzzio recebe o cartão vermelho aos 46ST (tinha recebido o amarelo por motivo tolo, segurar a bola, aos 22ST, quando o jogo ainda estava nas mãos de River).

Já não há mais tempo. Pezzota termina o jogo pouco antes dos 47ST. Termina também mais um sonho de Libertadores para River, e da pior forma possível: desclassificado quando tinha o jogo na mão. Embora tenha superado a fase de grupos, este River de Simeone joga muito, mas muito mais feio que o River de Passarella. O objetivo agora volta a ser o Clausura, única esperança de salvar o primeiro semestre deste ano.


Mas repito: com esse esquema de jogo, não dá.

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