Ma-ra-vi-lha!

É o único que me ocorre para descrever a goleada de River ontem à noite frente a USM de Peru, um placar construído com os dentes apertados de um time copeiro, que morde e põe pressão em todo o campo, mas também com muitos lances de bom futebol, como o torcedor gosta. Foram cinco gols, mas poderiam ter sido 7 ou 8, não fossem o goleiro Butrón e as traves salvadoras.
Contagiante, para o time e para o torcedor, foi a alegria de Loco Abreu, que festejou seus três gols fazendo “pito catalán” e se abraçando profusamente com seus companheiros.
No primeiro gol, meio mordido, o que vale é bola na rede. Abreu empurra com o pé direito uma bola rasteira cruzada da esquerda. No segundo, com uma cabeçada impecável, de pique ao chão, inalcançável para Butrón, transforma em gol um tiro livre levantado com precisão por Abelairas desde a meia-direita. No terceiro, com a tranqüilidade que é sua marca, Abreu pára a bola com o pé direito para (parece que de bico) de canhota mandar a bola pra rede lá encima, onde o goleiro não alcança.
Obra prima. O segundo gol. Ferrari pára uma bola alta da esquerda no peito e na carreira. Sobre o bico da grande área, com um toque sutil deixa atrás seu marcador, segue quase até a linha de fundo e, com a cabeça levantada, cruza a bola forte, rasteira e precisa para o toque genial de Falcao Garcia. O colombiano toca de direita fazendo a bola passar debaixo de sua perna esquerda, no que aqui se chama “gol de letra”.
Exemplo cabal de oportunismo goleador. Foi o quarto gol. O goleiro Butrón não consegue segurar um forte chute de canhota (Abelairas, creio) do meio do campo. O rebote é velozmente aproveitado, dentro da área, por Ferrari quem, quase sobre a linha de fundo, toca atrás para Rios mandar pro gol. Se o juvenil não conseguisse conectar, Abreu estava logo atrás, pronto para converter.
A cereja do bolo. Foi o quinto gol, bela jogada coletiva iniciada por Buonanotte pela esquerda. O baixinho vai levando a bola e se aproximando da área, onde Rios e Abreu o aguardam, já antecipando mais um gol milionário. Apenas pisa na área, o canhoto Buonanotte corta para dentro e toca a bola atrás para Rios. Quase na marca do pênalti, o juvenil atrai a marca e, somente no último momento, passa a bola para Abreu à sua direita. O uruguaio definiu perfeito.
Como em toda equipe preocupada em atacar, houve algumas falhas, como Alexis, mais uma vez, excessivamente recuado (no ST o chileno acabou levando um cartão amarelo sem necessidade por falta perigosa). Persiste o vício de passar a bola para trás, às vezes perigosamente. Contudo, em nenhum momento ontem River se viu ameaçado pela tímida equipe peruana, demonstrando que a derrota em Lima nada mais foi que um acidente de percurso.
No balanço final, o futebol apresentado pela equipe de Simeone deixou o torcedor mais feliz e esperançado. O largo resultado conseguido foi o que o torcedor em geral, e eu em particular, estávamos pedindo.
Nesta primeira fase da Copa Libertadores, River teve alguns altos e baixos, mas a melhoria é manifesta. Agora, a equipe deve se preparar mentalmente para a segunda fase, mais difícil, com jogos eliminatórios.
A folgada vitória de ontem dá a River a segurança que necessitava para continuar somando na Libertadores, sem descuidar, claro está, o Clausura 2008 e os importantes compromissos que se aproximam.
Minha bola de cristal diz que River continuará ganhando, gostando, e goleando.
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